• Meu nome é Fernando Fernandes, sou médico psiquiatra e pesquisador. Por bons 15 anos, durante minha graduação na faculdade de Medicina da USP e, depois, em paralelo com a carreira médica, fui professor em cursos pré-vestibulares de São Paulo. No Curso Poliedro, desenvolvi parte importante dessa carreira.

    Vou, agora, relatar um pouco de minha experiência e contar sobre a carreira de médico, desde a graduação até o mercado de trabalho.

    • O vestibular

      • Certa vez, li uma entrevista curiosa concedida pelo casal de professores eméritos da Faculdade de Medicina da USP, os doutores Joaquim e Angelita Gama. Foi perguntado para o Dr. Joaquim qual havia sido o maior desafio da carreira da esposa, ao que ele respondeu: “Impor-se como cirurgiã do sexo feminino e liderar o movimento que tornou a Coloproctologia uma disciplina independente da cirurgia do aparelho digestivo”. Já quando perguntaram para a própria, ela respondeu simplesmente: “entrar na faculdade de Medicina”. A Dra. Angelita Gama é detentora de 51 prêmios científicos, ministrou mais de 800 aulas (em congressos, cursos e jornadas médicas) e publicou 272 artigos científicos. Mesmo depois de tantas conquistas, ela considera como o maior desafio de sua carreira o seu ingresso na faculdade de Medicina.

        Confesso que, por mais que tente, não consigo me lembrar de um momento mais feliz na vida do que aquele quando vi meu nome na lista de aprovados. Sem dúvida, foi o maior desafio da minha carreira, e tinha vergonha enorme de dizer isso até o dia em que vi a professora Angelita dizer o mesmo. Todo o resto não seria realidade se esse desafio não fosse vencido. Você, que está se preparando para ingressar na faculdade de Medicina, pode estar diante do maior desafio de sua carreira médica. Paradoxalmente, será este desafio que irá inaugurá-la.

        A construção de uma carreira médica de sucesso começa no vestibular e não tem mais fim. É muito comum encontrar ex-alunos dos cursos pré-vestibulares que agora estão nos primeiros anos da faculdade de Medicina e conseguir arrancar deles um sorriso meio sem graça quando digo: “você achou que a vida se resolveria quando passasse no vestibular, não é?”. Invariavelmente, a resposta que recebo é algo do tipo: “verdade, professor, agora vejo que o trabalho só havia começado”.
    • Os primeiros anos

      • Havia uma divisão clássica no currículo do curso médico: os dois primeiros anos eram dedicados ao curso básico (biologia molecular, celular, genética, histologia, anatomia e fisiologia); o terceiro e o quarto ano, às matérias médicas (epidemiologia, patologia, clínica, ginecologia, pediatria etc.); e os dois últimos, ao internato, ou seja, estágio hospitalar supervisionado.

        Essa divisão ainda existe, porém não de forma tão rígida. Quando ingressei na Faculdade de Medicina da USP, por coincidência, foi inaugurado um novo currículo que serviu de modelo para outras faculdades de Medicina. Entrou como prerrogativa um contato mais precoce com os pacientes e com as unidades de saúde (hospitais e postos), além de atividades práticas desde o primeiro ano. Outra alteração foi a reserva de parte da carga horária para matérias eletivas (opcionais) ou estágios de iniciação científica.

        Nas faculdades com sistema de ensino Problem Based Learning (PBL), essa divisão inexiste. Os alunos são expostos a casos clínicos desde o primeiro ano e, a partir desses casos (bem simples no início), devem buscar o conhecimento necessário para o entendimento das patologias. Há sempre um tutor para direcionar o estudo, e as aulas expositivas são reduzidas ao mínimo. O contato com os pacientes e com as diversas unidades de saúde também se dá precocemente, acontecendo desde o primeiro ano. Alguns alunos me perguntam qual método é melhor, PBL ou tradicional. A verdade é que ambos parecem mostrar resultados finais semelhantes, sendo que as variáveis importantes são a qualidade dos professores e a dedicação dos alunos, não o método.

        Independentemente do sistema de ensino adotado, o volume de informação é gigantesco nessa fase. Muitas matérias são puramente descritivas, e a memorização de extensos conteúdos para cada prova é uma constante. No método PBL, o volume é ainda maior, pois as diversas disciplinas são estudadas de forma conjunta em cada um dos casos clínicos apresentados. Recentemente, uma ex-aluna me disse: “Fernandes, é tanto livro que é difícil carregar pra casa”. Diversas vezes, já me perguntaram se o curso era muito difícil, ao que eu sempre respondi que não era propriamente difícil, mas extremamente trabalhoso, e exigia uma dedicação enorme.

        Quando a empolgação inicial com a aprovação esfria e as primeiras provas chegam, muita gente desanima. Mesmo na Medicina da USP, uma faculdade pública com um dos processos de seleção mais duros que existem, há desistências nessa etapa. Mas nem tudo é trabalho, mesmo nessa fase, pois há atividades para relaxar, divertir-se ou se inspirar.
    • Vivência acadêmica

      • Nas faculdades de Medicina, são desenvolvidas diversas atividades extracurriculares desde o primeiro ano. Em geral, essas atividades podem ser divididas em três grupos: atividades representativas – quase sempre ligadas aos centros acadêmicos –, atividades esportivas e recreativas – ligadas às associações atléticas – e atividades acadêmico/científicas – ligadas aos departamentos científicos.

        Atividades representativas e culturais

        O centro acadêmico é uma entidade estudantil promovida e administrada pelos próprios estudantes. Suas funções e atribuições são diversas, tais como organização de debates, discussões, palestras e eventos culturais; recepção de calouros e realização de projetos de extensão. Alguns alunos envolvem-se nessas atividades e acabam por concorrer a cargos eletivos dentro do organograma do centro acadêmico, que, em algumas universidades, representa os alunos em conselhos consultivos ou deliberativos, mediando reivindicações e ações políticas entre os estudantes e a faculdade.

        As atividades esportivas

        As associações atléticas acadêmicas de certas faculdades estimulam bastante o treino das diversas modalidades. Isso ocorre desde o ingresso dos calouros e deve-se a dois motivos: o primeiro e mais explícito é que, em maio, há a competição de calouros, sendo esse o primeiro contato dos alunos com as competições universitárias. O segundo motivo é que as atividades esportivas são um excelente meio para promover a integração entre os alunos. Depois de algum tempo longe da graduação, percebo que alguns laços de amizade formados nos treinos, nas competições ou mesmo no espaço de convivência da atlética se mantêm por décadas.

        Nos treinos, há espaço para novos praticantes nas diversas modalidades. Obviamente, para as competições, são selecionados os melhores atletas, geralmente praticantes que já chegam com bom nível técnico na faculdade. Algumas equipes são ou já foram realmente bem competitivas e fizeram história não apenas nas competições acadêmicas, mas até mesmo em nível nacional. Como exemplo, posso citar a equipe de Rugby da Medicina USP (campeã brasileira em 1973 e 1981), a equipe de natação feminina da Escola Paulista, que chegou até a deter o recorde brasileiro no revezamento 4x50m, e a equipe de judô, também da Medicina USP, que chegou a ter dois judocas da seleção brasileira entre os cinco atletas titulares.

        Atividades científicas e de extensão

        As ligas acadêmicas e os congressos universitários são duas atividades geralmente coordenadas pelo departamento científico. Essas ligas são compostas de grupos de alunos que compartilham interesses por algum tema médico, enquanto algum professor ou médico especialista coordena as atividades e supervisiona a atividade assistencial. Assim, são organizadas aulas, grupos de estudo e atendimentos. A primeira liga do Brasil foi a Liga de Combate à Sífilis, fundada em 1924 por alunos da então Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, que, hoje, é a Faculdade de Medicina da USP. Grandes nomes da medicina brasileira passaram por essa liga.

        Os congressos médicos universitários são equivalentes aos congressos médicos de especialidades, porém com menor grau de aprofundamento. Trata-se de uma atividade realizada por alunos, voltado para um público formado também por alunos, em que os temas podem ser diversos, como em congressos maiores, ou específicos, com vários profissionais discursando sobre o mesmo tema. Recentemente, fui convidado a palestrar no Congresso Médico Universitário da Faculdade de Medicina de Taubaté, no qual a temática girava em torno de “emergências”, e minha palestra foi sobre suicídio.

        Uma atividade enriquecedora, sobretudo para quem almeja ter uma carreira como pesquisador, é a iniciação científica. Independentemente da área escolhida, é na iniciação científica que aprendemos os princípios dos métodos de pesquisa em medicina e quais são os tipos de estudo adequados para cada situação ou objetivo. Geralmente, o aluno de iniciação científica auxilia um pesquisador que já tem uma linha de pesquisa e, mesmo que o aluno mude de área de interesse nos próximos anos (o que é bem comum!), ele carrega consigo os fundamentos do método, que serão válidos em qualquer contexto.
    • O Internato

      • No método tradicional, os dois últimos anos da faculdade são exclusivamente dedicados ao internato, ou seja, estágio supervisionado em hospitais e outras unidades de saúde. O aluno invariavelmente vai realizar atendimentos em ambulatórios, enfermarias e prontos-socorros nas quatro grandes áreas da medicina: clínica médica, cirurgia, ginecologia e pediatria. Dependendo dos recursos de cada faculdade, podem ser realizados estágios em outras áreas, como psiquiatria, ortopedia, oftalmologia etc. No método PBL (e mesmo nos currículos modernos do método tradicional), a transição para o internato não é abrupta. Desde o início da faculdade, ocorrem atividades práticas; no entanto, nos dois últimos anos, a ênfase está totalmente nas atividades de assistência.

        Todas as atividades são supervisionadas: o interno conversa com o paciente, realiza o exame físico e discute o caso com o médico assistente. Na discussão, o interno faz a hipótese diagnóstica e propõe a conduta, mas é o médico assistente quem define os exames necessários para fechar o diagnóstico e o tratamento para o doente. As aulas teóricas são reduzidas ao mínimo e sempre focadas na prática clínica, em protocolos diagnósticos e de conduta. O aluno continua sendo avaliado em provas quanto ao conhecimento teórico, mas também é avaliado no dia a dia de atendimento e nas discussões de casos.

        Nos estágios em cirurgia e ginecologia, o interno entra em campo cirúrgico para instrumentar e/ou auxiliar cirurgias nas diversas subespecialidades cirúrgicas, mas atua principalmente no pronto-socorro. Já na obstetrícia, realizamos pré-natal, partos normais e auxiliamos cesarianas. O internato é uma fase importante na carreira médica não apenas pelo aprendizado prático, mas também porque o contato com as diversas especialidades dá suporte para algo iminente: a escolha da especialidade.
    • Decidindo a especialidade

      • Muitos alunos entram na faculdade de Medicina com uma ideia pueril, acreditando que sabem qual especialidade vão querer seguir. Eu fui um deles. Guardo até hoje uma entrevista que me foi feita na época em que passei no vestibular, na qual disse que faria ortopedia e medicina esportiva. No final da faculdade, queria oftalmologia. Só depois de formado me decidi por psiquiatria, escolha que me faz muito feliz. Por outro lado, existem pessoas que vão do começo ao fim da faculdade determinadas a fazer uma certa especialidade e efetivamente ingressam nela? Sim, existem, e é comum terem ascendentes médicos bem-sucedidos na área em questão.

        Com o que mencionei anteriormente, um ponto fica claro: especialidade se decide no final da faculdade (e, algumas vezes, até mesmo depois dela). A prioridade de qualquer um que queira ser um bom especialista é, em primeiro lugar, se formar um bom médico. Quando era professor de cursinho, alguns alunos me procuravam com questionamentos como: “eu pretendo fazer tal especialidade e ouvi dizer que determinada faculdade é boa nisso, é verdade?”. Essa pergunta está fora do tempo, no mínimo, por um prazo de seis anos, quando se dará, de fato, a escolha de especialidade.

        Depois de se formar um bom médico, é praticamente impossível não se identificar com uma das mais de 100 opções possíveis, entre especialidades e áreas de atuação. As mais lembradas são as especialidades clínicas, cirúrgicas, ginecologia, pediatria, ortopedia, psiquiatria, oftalmologia, dentre outras. Contudo, supondo que o médico queira trabalhar em laboratório, sem contato com pacientes, ele terá essa opção. Se quiser trabalhar com exames de diagnóstico por imagem, pode fazer radiologia. Querendo trabalhar em empresas, há a medicina ocupacional. Se pretende trabalhar no judiciário, há a medicina legal. Caso queira trabalhar com planilhas de dados em saúde, poderá fazer se dedicar à epidemiologia. Enfim, poderia escrever textos e mais textos sobre o enorme campo de conhecimento que se abre para quem completa a graduação em Medicina. .
    • Depois da faculdade: especialização

      • A residência médica é a principal via que os médicos buscam para especialização. O tempo de residência varia de dois a cinco anos, dependendo da área de escolha e se o médico vai realizar, ou não, uma segunda residência para se subespecializar. Clínica médica e cirurgia geral, por exemplo, duram dois anos. Caso o clínico deseje se subespecializar em cardiologia, serão mais dois anos; ou, se o cirurgião quiser se formar cirurgião plástico, serão mais três.

        Considero a residência médica a fase mais decisiva e importante da carreira médica. É na residência que se deixa de ser um bom médico em potencial para se tornar um bom médico de fato. O ingresso para a residência médica se dá mediante concurso público e, com o aumento do número de escolas médicas nos últimos anos, a concorrência para as vagas de residência tem sido muito acirrada. Nas principais especialidades, é comum encontrarmos uma concorrência de, aproximadamente, 10 candidatos por vaga. Para escolher uma boa residência, o médico deve pesquisar sobre serviço, tradição em assistência, pesquisa, disponibilidade de professores etc.

        A residência também é um estágio médico supervisionado, porém com grau de cobrança e responsabilidade muito maior que no internato. A cobrança se dá para cumprirmos a demanda exigida de atendimento e estudo, pois a carga horária é extensa. Apesar da Comissão Nacional de Residência Médica determinar uma carga máxima de 60h semanais, muitas residências extrapolam (e muito) essa carga horária.

        Há outras formas de especialização, como cursos de pós-graduação lato sensu, porém com menor reconhecimento que uma residência médica. O médico também pode buscar experiência por conta própria, realizando estágios em hospitais e ambulatórios. Uma vez comprovada essa experiência, pode-se realizar uma prova para obtenção de título junto à associação médica da especialidade. Em geral, tanto comprovar a experiência quanto passar nas provas é difícil. Mesmo médicos que fizeram uma boa residência podem encontrar dificuldade nas provas, mas isso varia de acordo com a especialidade.
    • Mercado de trabalho

      • Da mesma forma que há muitas especialidades, há também diversos modos diferentes do médico exercer a profissão e planejar sua carreira. Algumas possibilidades de trabalho estão listadas a seguir:

        Carreira em serviços públicos de saúde

        Na Atenção Básica, houve um aumento grande na demanda por médicos generalistas no Programa de Saúde da Família. Esses profissionais realizam atendimento básico nas áreas de clínica médica, pediatria e ginecologia, fazem exames de rastreamento e tratam as doenças mais prevalentes, além de realizarem atividades de saúde preventiva.

        Além da Atenção Básica, o Sistema Único de Saúde contempla atendimentos de média e alta complexidade. Prontos-socorros, enfermarias e ambulatórios especializados são opções para o médico especialista, sendo que uma das vantagens do serviço público é a estabilidade no emprego.

        Carreira em serviços privados e consultório

        Hospitais e prontos-socorros privados são opções para médicos especialistas. Por razões históricas e financeiras, não há investimento privado na Atenção Básica. Os rendimentos e as condições de trabalho são, salvo exceções, equivalentes ou melhores que na saúde pública. Porém, não há a estabilidade no emprego típica dos serviços públicos.

        Trabalhar e poder viver de um consultório próprio é a meta da maioria dos médicos ao se especializar. Obviamente, constituir a própria clientela é um trabalho que leva tempo e investimento. No início, o consultório pode ficar ocioso na maior parte do tempo, mas, como em qualquer negócio, deve haver persistência. Alguns médicos desanimam nessa fase e preferem ocupar seu tempo trabalhando em outras atividades e obtendo retorno mais imediato. Uma opção para captar clientes mais rapidamente é o cadastramento em serviços de saúde suplementar (convênios, seguros-saúde ou planos de saúde). Alguns médicos começam prestando atendimentos a esses serviços em seu consultório e, em paralelo, vão constituindo sua própria clientela particular.

        Carreira acadêmica

        Fazer mestrado, doutorado e trabalhar com pesquisa em medicina é o caminho que alguns médicos com predileção científica escolhem. Dentre as opções de carreira médica, sem dúvida, essa é a que mais exige dedicação ao estudo. Ledo engano achar que se faz carreira científica com boas ideias, pois a carreira científica é construída com muito, muito estudo em primeiro lugar. Em seguida, vem a formulação de hipóteses, definição de protocolos de pesquisa, coleta de dados, análises estatísticas e, por fim, quiçá, teremos alguma boa conclusão passível de publicação, sendo que o principal fator que mede a produtividade do pesquisador são artigos científicos publicados em revistas reconhecidas internacionalmente. Para tudo isso, são necessários recursos que devem ser obtidos junto às agências fomentadoras de pesquisa.

        A carreira em questão é muito competitiva, e realizar a pós-graduação é só o início. Os concursos para professores nas universidades de destaque são extremamente concorridos. Em geral, inicia-se a carreira de pesquisa em um grande centro, mas pode-se iniciar a carreira de professor em uma universidade de menor destaque.

        Uma outra possibilidade para se trabalhar na área científica é prestar serviço como pesquisador para a indústria farmacêutica ou outra que desenvolva produtos médicos (como próteses, p.e.). Apesar do setor de pesquisa enfrentar muitas dificuldades em nosso país, há indústrias nacionais e estrangeiras que desenvolvem trabalhos no Brasil.

        Uma carreira flexível

        A maioria dos médicos desenvolve mais de uma das atividades que relacionei anteriormente. Essa flexibilidade foi um dos atraentes que me fez decidir pela Medicina. No Brasil, por exemplo, quase 75% dos médicos tem emprego no setor público e no setor privado. Eu e grande parte dos médicos com que convivo exercemos atividades de pesquisa em universidades públicas e de assistência em consultório. E o melhor é que suas opções podem mudar ao longo do tempo, de acordo com o mercado de trabalho, a fase de vida e o reconhecimento profissional. Trabalhar em plantões, por exemplo, é uma opção que tende a se concentrar no início da carreira, e viver exclusivamente trabalhando no consultório é uma opção que, geralmente, leva anos para ser alcançada.


      Considerações finais

      • A excelência em medicina exige estudo contínuo. Quando me falavam isso, eu não dava a devida atenção.
      • Nessa fase de preparação para o vestibular, você pode ficar tenso ou inseguro por vários motivos, tais como concorrência alta, rendimento aquém de sua expectativa, pouco tempo para lazer etc. Contudo, se o fato de ter que estudar muito traz insatisfação, não faça Medicina.
      • Se você acha o vestibular uma competição feroz, espere até ver a prova de residência. Ao passar em um vestibular concorrido, você se sentirá o Superman na Terra. Na prova de residência, você se sentirá o Superman em Krypton.
      • Se entre os seus principais motivos para cursar Medicina está o retorno financeiro e o suposto status que a profissão pode trazer, revise rapidamente sua opção. Tenho certeza que há opções melhores nesse sentido.
      • Alguns anos de cursinho, seis anos de faculdade, de dois a cinco anos de residência, madrugadas de estudo, plantões e mais plantões, concursos... Tudo isso faz parte de um investimento enorme que vale a pena, mas só se você estiver feliz e muito seguro com sua escolha.
      Foto Professor Medico Psiquiatra Fernando Fernandes


      Fernando Fernandes é médico psiquiatra e pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria da USP. Durante 15 anos foi professor de cursinho, inclusive do curso Poliedro. Atualmente, além das atividades de pesquisa, atua como palestrante e em consultório. Mantém o blog de informação em saúde mental psiquiatriaonline.com.br.

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