• O ensino atual de Medicina foca em uma formação básica junto à formação clínica. Porém, existem metodologias de ensino diferentes, como o método PBL, que estão se popularizando cada vez mais. Essas novas formas de ensino estimulam a participação dos alunos, já nos anos iniciais da graduação, na realidade médica de hospitais e ambulatórios, o que incentiva mais o raciocínio clínico.

    • O método tradicional

      • Uma graduação tradicional em Medicina é, normalmente, dividida em 3 ciclos:

        Ciclo básico (1º e 2º anos)

        Nos dois primeiros anos, são ministradas disciplinas básicas, como anatomia, fisiologia bioquímica, citologia, genética, embriologia, biofísica, microbiologia e parasitologia, que servirão de subsídio para o aprendizado posterior. Em anatomia, por exemplo, os alunos estudam o corpo humano em sala de aula e nos laboratórios, onde ocorrem as dissecações de partes de cadáveres para, assim, aprender sobre ossos, músculos, vasos, nervos e órgãos. Em geral, o contato com pacientes é extremamente reduzido nesses anos iniciais. Em algumas faculdades, os alunos podem atuar nesse período como agentes comunitários nos trabalhos de promoção de saúde e prevenção de doenças em unidades básicas de saúde, creches, centros comunitários e asilos.

        Ciclo clínico (3º e 4º anos)

        Neste ciclo, os alunos começam a fase clínica e têm contato com pacientes em hospitais e ambulatórios dos hospitais-escola e centros de saúde conveniados. Os estudantes aprendem a realizar anamneses (entrevistas médicas), exames físicos e a analisar e interpretar exames laboratoriais, eletrocardiogramas, raios X, tomografias e ressonâncias magnéticas. Dessa forma, os futuros médicos começam a compreender a relação dessas análises com os exames físicos e as entrevistas realizadas. Também são estudados os fundamentos das especialidades médicas principais, como pediatria, clínica médica, cardiologia, ginecologia, dermatologia, psiquiatria e oftalmologia. Pequenas cirurgias são realizadas, como retirada de cistos e verrugas.

        Internato (5º e 6º anos)

        Nos últimos anos, o contato com os pacientes e a experiência prática nos hospitais-escola são intensificados, para, assim, aprimorar o raciocínio de diagnóstico. Os estágios e plantões no serviço de emergência são mais comuns, e os alunos aprendem procedimentos de atendimento emergencial e cirúrgico. Pequenas suturas já são feitas de maneira mais independente, entre outros atendimentos mais básicos. Na conclusão do curso, o aluno se forma como médico generalista e, ao se cadastrar no Conselho Regional de Medicina (CRM), recebe o seu número de registro profissional.
    • O método PBL

      • Algumas universidades conceituadas no exterior, como a Harvard Medical School, Johns Hopkins e Stanford School of Medicine, utilizam parcialmente ou integralmente em seus cursos o método PBL (Problem-Based Learning). Esse método, que no Brasil costuma ser chamado de ABP (Aprendizado Baseado em Problemas), é utilizado de maneira mais extensa em sua proposta curricular em poucas faculdades brasileiras, como a Famema e a UEL.

        Diferentemente do estilo tradicional de aulas expositivas e provas escritas, o PBL tem uma estratégia pedagógica, focada no aluno, que envolve trabalhar com discussões em pequenos grupos utilizando o contexto clínico (casos reais) para aprendizagem. Dentro desses grupos, há os docentes tutores, que orientam e guiam os estudantes, o que faz com que o papel do professor seja mais de facilitador das discussões, conduzindo-a quando necessário e indicando a literatura e as ferramentas pertinentes, do que de disseminador de conhecimento em aulas expositivas tradicionais. O intervalo de tempo entre as sessões tutorais serve para o aluno, individualmente, buscar mais informações e solidificar o conhecimento.

        Dessa forma, o futuro médico passa a ser mais ativo na busca pelas respostas das questões discutidas e acaba desenvolvendo precocemente a habilidade de trabalhar em grupo, a comunicação e a resolução de problemas clínicos reais de maneira mais independente, seguindo o seu próprio interesse e ritmo de aprendizado. É um método que envolve um contato maior com a prática clínica desde o início da faculdade, tornando maior o interesse dos estudantes na grade curricular básica, já que são mais ativos também no seu processo de aprendizagem.

        Definir qual dos dois métodos é o melhor para formar bons médicos é difícil, pois o sucesso da implementação de qualquer metodologia de ensino depende de muitos pré-requisitos, como treinamento e engajamento de corpo docente e discente, além do apoio administrativo da coordenação do curso.


    Veja alguns links sobre o método PBL:

    http://web.stanford.edu/dept/CTL/Newsletter/problem_based_learning.pdf
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC225793/
    http://fhs.mcmaster.ca/mdprog/documents/Use_of_PBL_Article.pdf
    http://www.famema.br/ensino/cursos/docs/avaliacaoprocessoformacaomedicos.pdf
    http://www.unifesp.br/centros/cedess/pbl/
    http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0100-55022009000300014&script=sci_arttext
    http://www.ufscar.br/camsa/tag/pbl/

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