• Ser pai de um vestibulando de Medicina não é uma tarefa fácil. Um turbilhão de emoções e sentimentos passa pela vida de um aluno de cursinho, e a relação desse aluno com a família neste período também precisa de uma atenção especial.

    Ao longo dos anos, notamos o quanto algumas ações dos pais podem contribuir de maneira positiva para o sucesso do aluno nos vestibulares.

    Inicialmente, é importante os pais compreenderem como os vestibulares evoluíram nas últimas décadas. Existe uma diversidade muito grande de exames, que possuem métodos de seleção distintos e que atribuem diferentes pesos à cada disciplina. A concorrência cresceu bastante, e, atualmente, um mero detalhe pode fazer a diferença para ser aprovado em Medicina na Fuvest.

    Entender a realidade do aluno no cursinho, em especial no Poliedro, é importante para poder lidar com o filho nesse contexto. Sabemos que o segredo para aprovação reside no esforço e na dedicação, e não em genialidade. Acreditamos que o aluno tem que fazer o seu melhor, de maneira sustentável, ao longo do ano. Estimulamos os alunos a evitar comparações imediatas com colegas. Cada um deve respeitar a sua história de vida, sua base, seus conhecimentos prévios. Um aluno que possui uma base mais fraca certamente vai ter mais dificuldades do que um aluno dedicado que teve aula em colégios mais exigentes. Portanto, cada um tem o seu patamar de aprendizado distinto que deve ser considerado.


    Os simulados aos sábados e domingos são ferramentas importantes na turma Medicina, pois mantém o aluno pedagogicamente produtivo no final de semana, prepara-o para a maratona real de vestibulares e auxilia-o no diagnóstico de deficiências e ajustes no plano de estudos.

    Porém, é importante frisar que ir mal em um simulado não significa que irá mal no vestibular, pois, no cursinho, o aluno ainda está em fase de aprendizado e consolidação do conhecimento, ou seja, há espaço para errar. Cobramos muito, porém de maneira adequada – é um reconhecimento da capacidade do aluno de conquistar a sua aprovação. É muito importante que os pais incentivem os filhos a virem nas aulas e nos simulados, especialmente nos momentos de maior cansaço ou desânimo.

    As orientações sobre como, onde, o que e quanto estudar são feitas pela coordenação e pela equipe de professores ao longo do ano. No cursinho, o aluno também é orientado sobre como proceder nos feriados e férias, vestibulares de meio de ano – quais e quantos vestibulares prestar – e outras recomendações importantes. Consideramos importante que os pais despertem a ambição dos filhos pela carreira de Medicina e pelas melhores faculdades, afinal o esforço e a dedicação aparecem de maneira muito mais duradoura quando há um grande sonho.

    Por meio de centenas de atendimentos individuais feitos por nossas orientadoras educacionais e de pesquisas realizadas com os alunos da turma Medicina, conseguimos listar de maneira pragmática as ações e atitudes feitas pelos pais que mais influenciam, positiva ou negativamente, os estudos e o comportamento dos filhos. As ações são detalhadas nos atendimentos individuais com pais ou em palestras organizadas pela coordenação.

    Resumidamente, algumas ações que os alunos costumam relatar que mais prejudicam o desempenho ao longo do ano são:

    • Comparações: Os alunos se sentem muito mal quando são comparados com irmãos, primos, filhos de conhecidos, outros vestibulandos ou os próprios pais. É importante reconhecer as individualidades, afinal cada aluno tem um histórico de vida diferente, e o desempenho nas mais diversas habilidades é muito variado.
    • Pressão: As pressões para estudar mais podem ser inadequadas quando o aluno já se dedica de maneira adequada. Compreender que ele precisa de alguns momentos de descanso e, algumas vezes, ser poupado de compromissos familiares, atividades domésticas e participação na vida social familiar, é importante.
    • Confiança: O excesso de confiança dos pais na aprovação pode gerar uma grande insegurança no aluno. Afinal, é muito difícil ser aprovado em Medicina, e todos se sentem inseguros devido à possibilidade de falhar. Mas a falta de confiança em relação à capacidade, às decisões, às atitudes e ao comprometimento do aluno com o estudo também prejudica.

    Muitas atitudes simples podem aliviar a tensão neste ano difícil e ajudar o seu filho nessa fase, como:

    • Apoio: O suporte emocional (carinho, afeto, conforto, palavras de confiança) é muito bem-vindo nesse ano estressante, assim como uma linguagem corporal positiva (abraços, sorrisos).
    • Compreensão: Entender que é difícil passar em Medicina, principalmente nas faculdades públicas, e algumas vezes são necessários vários anos no cursinho.
    • Motivação: Elogiar e reconhecer o esforço do aluno a cada conquista (uma melhora no desempenho dos simulados, por exemplo) é muito motivador. Incentivá-lo a ter uma grande ambição é mais eficiente do que obrigá-lo a estudar.
    • Facilitar a vida do aluno: As isenções de algumas tarefas domésticas são muito apreciadas. Além disso, auxiliar no preparo das refeições e oferecer caronas são atitudes de grande ajuda nesse processo.

    Neste ano, é importante ter solidariedade com a fase pela qual seu filho está passando. A conversa é um bom meio para conhecê-lo melhor e a situação que ele vive. Esse é o vestibular dos pais.



    Rodrigo Fulgêncio
    Coordenador da Turma Medicina
    Sistema de Ensino Poliedro

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