• A Faculdade de Medicina da USP, também conhecida como Pinheiros, é uma das mais prestigiadas e renomadas da América Latina. Seu vestibular, realizado pela Fuvest, não é o mais concorrido do Brasil, mas seus critérios de seleção são muito exigentes, sendo, assim, um dos mais difíceis de conquistar a aprovação.

    Um importante indicativo da qualidade e reputação da Pinheiros está na baixa convocação de alunos em listas de espera. Em 2014, por exemplo, após a 1ª chamada, foram convocados apenas 6 alunos, de um total de 175 vagas. Em 2015 a lista rodou 15 nomes, um recorde histórico. A Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto também é muito conceituada no país e, assim como a de Pinheiros, apresenta concorrência alta e poucas convocações em listas de espera

    A Santa Casa da Misericórdia de São Paulo tem uma das mais famosas faculdades de Medicina do país e também utiliza o vestibular da Fuvest como método de seleção. Porém, por ser uma faculdade particular, a quantidade de alunos convocados em lista de espera costuma ser grande. Em 2015, foram aprovados 805 alunos para a 2ª fase de Medicina, e os que ficaram até a 693º de posição geral foram convocados para a matrícula na Santa Casa.

    A Fuvest calcula a nota final com base em uma média aritmética dos 4 dias de provas:

    • 1ª fase;
    • 2ª fase – dia 1: Português e Redação;
    • 2ª fase – dia 2: Conhecimentos gerais;
    • 2ª fase – dia 3: Conhecimentos específicos.

    Exemplo de um Boletim fornecido pela Fuvest

    • Estatísticas - Provas da 1ª Fase

      • A prova de 1ª fase da Fuvest possui 90 questões que abrange todas as matérias do Ensino Médio, exceto Filosofia e Sociologia.

        A nota de corte da Medicina Pinheiros é, geralmente, a mais alta entre todos os cursos. A variação do corte depende de vários fatores, tais como:
        • Dificuldade de cada questão;
        • Dificuldade global da prova;
        • Nível dos candidatos;
        • Bonificação na 1ª fase para alunos de escolas públicas.
        A cada ano, esses fatores tornam a nota de corte muito difícil de ser prevista, podendo apresentar diferenças de até 7 pontos, como aconteceu em anos anteriores (2009 e 2011).

        Por isso é importante que, após a primeira fase, o aluno não se preocupe com a nota de corte, e sim com os estudos para as próximas provas. Mesmo que o aluno tenha passado no limite da nota de corte, ele ainda tem chances de ser aprovado em Medicina, já que 75% da nota final vem das provas da 2ª fase.

        A Fuvest também disponibiliza em seu site estatísticas detalhadas sobre todas as provas, incluindo as da 1ª fase. Essas estatísticas englobam, para cada carreira, histogramas de distribuição dos pontos obtidos na 1ª fase, índices de acertos – separados por questões e perfis dos aprovados na 1ª chamada – com as notas mínimas, máximas e médias em cada dia de prova.

        Veja, a seguir, os dados do vestibular de 2015, no qual houve uma média de 75,53 acertos entre os 175 alunos aprovados em Medicina na Pinheiros:

        Essas notas não levam em conta o bônus oferecido aos alunos provenientes de escolas públicas, vindos do Programa de Inclusão Social da USP (INCLUSP).

    • Estatísticas - Provas da 2ª Fase

      • Realizando uma análise histórica de cada um dos dias de prova da 2ª fase Fuvest, podemos perceber algumas tendências:

        1. A prova de Português e Redação é tipicamente a que possui médias mais baixas, devido a a um processo de correção de questões e da Redação bem rigorosos e elevado nível de dificuldade das questões.

        2. A prova de Conhecimentos Específicos (Biologia, Física e Química) possui médias muito elevadas e os alunos aprovados têm pouca margem para erro em questões nesta prova.

        3. A média final oscila e não existe uma tendência clara de subida ou descida, já que o nível de dificuldade da prova e dos candidatos afeta bastante esse número.

        As questões dissertativas possuem formatos distintos, podendo incluir gráficos, tabelas, esquemas, fotos ou apenas textos. Algumas questões não possuem subitens, enquanto outras possuem até 4 alternativas dissertativas para serem respondidas.

        Os critérios de correção são estabelecidos pela banca elaboradora das questões, e são seguidos pela Fuvest após um treinamento da equipe de correção. Uma amostragem das respostas fornecidas pelos candidatos é analisada antes da correção oficial, para possíveis ajustes no gabarito. Dois corretores atribuem, de maneira independente, uma nota (0, 1, 2, 3 ou 4) para cada questão e, se houver discrepância entre as correções, um terceiro avaliador é convocado.

        Mais informações em:
        http://www.fuvest.br/vest2016/manual/04.provas.05.avaliacao.segunda.fase.html

    • Estratégias

      • Na 1ª fase é crucial o controle e gerenciamento de tempo. O método mais eficiente para maximizar a pontuação em uma prova teste é pulando as questões mais difíceis e deixando-as para o final da prova.

        A seguir 10 recomendações importantes para as provas dissertativas:

        1. Antes de começar a resolver a prova, gastar alguns minutos iniciais lendo rapidamente os enunciados e classificando as questões como fáceis ou difíceis;
        2. Fazer imediatamente as questões fáceis e deixar as difíceis para o final;
        3. Não perder tempo excessivo em uma questão. Se no meio da resolução ocorrer uma “travada” ou “branco”, ir para a próxima questão. Porém nunca apague algo que foi escrito se não existir algo melhor para colocar no caderno de respostas;
        4. Ser objetivo, sucinto e claro nas respostas. Não colocar mais informações do que foram pedidas no enunciado, pois podem invalidar a resposta. A maior parte das questões podem ser elaboradas com 1 ou 2 frases, portanto não enrolar e não responder o que não foi perguntado;
        5. Jamais se identificar pois a prova poderá ser anulada;
        6. Indicar os cálculos, afinal a resposta não “cai do céu”. Cuidado que cálculo é diferente de conta;
        7. A menos que seja solicitado não é necessário utilizar notação científica e se preocupar com algarismos significativos;
        8. Não utilizar o espaço errado (escrever a questão 3 no lugar da questão 4). Se isso ocorrer a banca “pode” considerar – tente deixar indicado qual questão você respondeu;
        9. Não ultrapassar o espaço de uma questão, pois se a prova for escaneada aquilo que não estiver dentro dos limites não aparece para o corretor;
        10. Uma resposta errada na letra A pode não invalidar totalmente a letra B, mesmo que um item dependa do outro. Ou seja, jamais deixar uma questão em branco.


    • Perfis dos aprovados

      • De 2007 até 2014, a quantidade de alunos aprovados em Medicina que tiveram algum tipo de bonificação por meio do INCLUSP triplicou

        Fonte: Fuvest

        Diferentemente das estatísticas de 2014, em 1995, dos 175 aprovados em Medicina na USP São Paulo, 138 alunos (90%) cursaram o Ensino Médio integralmente em escolas particulares.

        A ação do INCLUSP, denominada Sistema de Pontuação Acrescida, pode atualmente aumentar até 20% a nota de 1ª fase (apenas para efeito de progressão à 2ª fase) e sua nota final de classificação na carreira.

        Nas últimas décadas, o tempo médio que o candidato permanece no cursinho também aumentou. Em 1995, dos alunos aprovados em Medicina, 5% estudaram por 2 anos ou mais em um curso pré-vestibular.

        Esse percentual mais que quintuplicou em 2015, quando pudemos ver que 27% dos aprovados estudaram 2 anos ou mais em um curso pré-vestibular. O aumento nessa estatística tem como uma das causas a crescente competitividade e dificuldade do vestibular atual.

        Fonte: Fuvest (Questionários de avaliação socioeconômica)

        Consequentemente, com o aumento do tempo médio de permanência no curso pré-vestibular, os alunos entram na universidade também com a média de idade maior. Em 1980, na Fuvest, 34% dos alunos que entraram em Medicina, em 1ª chamada, tinham menos de 17 anos. Em 2015, esse percentual caiu para 11%.

        Por outro lado, em 1980, também na Fuvest, apenas 9% dos alunos eram maiores de 20 anos, enquanto que, em 2015, esse percentual subiu para 24%.

        Para mais informações sobre como mudaram os perfis dos ingressantes na Medicina USP, confira o Questionário de avaliação socioeconômica no site da Fuvest.



    Rodrigo Fulgêncio
    Coordenador da Turma Medicina
    Sistema de Ensino Poliedro

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